Aonde acontece
O exemplo da mutilação genital feminina
A mutilação genital feminina, por exemplo, como o informa Carlos Alberto Idoeta[21]é prática comum na África e em alguns países do Oriente Médio. Ocorre também em comunidades de imigrantes em países latino-americanos, asiáticos, europeus, Canadá e EUA. Está ligada à castidade e à crença de que diminui o desejo sexual e reduz o risco de infidelidade (na infibulação, a mulher "costurada" só é "aberta" para o marido). Outros supostos argumentos a dar respaldo consistem em motivos de higiene e estética, com a genitália feminina tida como feia e volumosa. Em algumas culturas, às mulheres não mutiladas é vedado o manuseio de alimentos e água.
O autor aponta que é desconhecida a origem da mutilação. Precedeu o cristianismo e o islamismo, era praticada pelos "falashas" (judeus etíopes), não é preceito de nenhuma das chamadas grandes religiões.
A violência contra as mulheres é uma realidade antiga. Mas, ao contrário de outros grupos oprimidos, as mulheres raramente têm recorrido à violência para a afirmação de seus direitos. Até as declarações de direitos humanos enunciaram direitos do homem e excluíram de sua abrangência formas de violência doméstica ou comunitária como a mutilação genital feminina. A subordinação foi aceita como inelutável enquanto um dos sexos foi, por séculos, assumido como física e intelectualmente inferior ao outro.
Quando a humanidade passa a desafiar, além do racismo e do colonialismo, o patriarcalismo, a violência contra a mulher deixa de ser "pessoal" e adquire a condição de problema político e social. Os próprios defensores de direitos humanos carecem de encontrar quais as formas de lidar com violações cometidas pelo indivíduo contra o indivíduo, em escala ainda maior e autorizadas pela própria família da vítima.
Às dificuldades de ordem prática, soma-se o argumento muitas vezes aplicado de fazer do multiculturalismo um obstáculo ao universal. Enfrentar a mutilação genital feminina, por exemplo, seria uma causa "eurocêntrica", ou ocidental que despr
A mutilação genital feminina, por exemplo, como o informa Carlos Alberto Idoeta[21]é prática comum na África e em alguns países do Oriente Médio. Ocorre também em comunidades de imigrantes em países latino-americanos, asiáticos, europeus, Canadá e EUA. Está ligada à castidade e à crença de que diminui o desejo sexual e reduz o risco de infidelidade (na infibulação, a mulher "costurada" só é "aberta" para o marido). Outros supostos argumentos a dar respaldo consistem em motivos de higiene e estética, com a genitália feminina tida como feia e volumosa. Em algumas culturas, às mulheres não mutiladas é vedado o manuseio de alimentos e água.
O autor aponta que é desconhecida a origem da mutilação. Precedeu o cristianismo e o islamismo, era praticada pelos "falashas" (judeus etíopes), não é preceito de nenhuma das chamadas grandes religiões.
A violência contra as mulheres é uma realidade antiga. Mas, ao contrário de outros grupos oprimidos, as mulheres raramente têm recorrido à violência para a afirmação de seus direitos. Até as declarações de direitos humanos enunciaram direitos do homem e excluíram de sua abrangência formas de violência doméstica ou comunitária como a mutilação genital feminina. A subordinação foi aceita como inelutável enquanto um dos sexos foi, por séculos, assumido como física e intelectualmente inferior ao outro.
Quando a humanidade passa a desafiar, além do racismo e do colonialismo, o patriarcalismo, a violência contra a mulher deixa de ser "pessoal" e adquire a condição de problema político e social. Os próprios defensores de direitos humanos carecem de encontrar quais as formas de lidar com violações cometidas pelo indivíduo contra o indivíduo, em escala ainda maior e autorizadas pela própria família da vítima.
Às dificuldades de ordem prática, soma-se o argumento muitas vezes aplicado de fazer do multiculturalismo um obstáculo ao universal. Enfrentar a mutilação genital feminina, por exemplo, seria uma causa "eurocêntrica", ou ocidental que despr
ou ocidental que despreza valores de culturas milenares? Nesse debate, imperativo se fazer dar voz e vez às próprias vítimas.
A prática da excisão de clitóris encontra amplo respaldo cultural nos países muçulmanos. Conta com o apoio, inclusive, da grande maioria das mulheres. Ora, o próprio ideário dos Direitos Humanos integra o direito à autodeterminação das nações como um dos seus valores. Com isto, não se pretende negar a nenhum povo a prerrogativa de estabelecer os seus próprios regramentos. Este mesmo ideário, entretanto, é incompatível com a oferta de dor e sofrimento a quem quer que seja e queda por oferecer elementos suficientes para um juízo moral a respeito daquela prática de mutilação que é, também, sustentada por uma cultura amplamente repressora frente às mulheres. Está-se, então, diante de um conflito ético que justapõe dois valores absolutamente imponderáveis: a consideração pela independência, autonomia e soberania dos povos, de um lado, versus a intolerância diante da violência, de outro. Apenas a ética universalista dos Direitos Humanos pode manter a exigência de respeito e luta pela afirmação dos dois valores. Se, pelo contrário, toma-se como suficiente a aceitação cultural de determinadas práticas nesta ou naquela comunidade situada historicamente – abandonando, portanto, a perspectiva universalista – estar-se-ia absolutamente desarmado teórica e politicamente para questionar o mal radical produzido com grande aceitação interna pelo nazismo na Alemanha, por exemplo.
http://www.dhnet.org.br/direitos/brasil/textos/dh_univ.htm#5.3
A prática da excisão de clitóris encontra amplo respaldo cultural nos países muçulmanos. Conta com o apoio, inclusive, da grande maioria das mulheres. Ora, o próprio ideário dos Direitos Humanos integra o direito à autodeterminação das nações como um dos seus valores. Com isto, não se pretende negar a nenhum povo a prerrogativa de estabelecer os seus próprios regramentos. Este mesmo ideário, entretanto, é incompatível com a oferta de dor e sofrimento a quem quer que seja e queda por oferecer elementos suficientes para um juízo moral a respeito daquela prática de mutilação que é, também, sustentada por uma cultura amplamente repressora frente às mulheres. Está-se, então, diante de um conflito ético que justapõe dois valores absolutamente imponderáveis: a consideração pela independência, autonomia e soberania dos povos, de um lado, versus a intolerância diante da violência, de outro. Apenas a ética universalista dos Direitos Humanos pode manter a exigência de respeito e luta pela afirmação dos dois valores. Se, pelo contrário, toma-se como suficiente a aceitação cultural de determinadas práticas nesta ou naquela comunidade situada historicamente – abandonando, portanto, a perspectiva universalista – estar-se-ia absolutamente desarmado teórica e politicamente para questionar o mal radical produzido com grande aceitação interna pelo nazismo na Alemanha, por exemplo.
http://www.dhnet.org.br/direitos/brasil/
A Tanzânia é um dos dez países onde a mutilação genital feminina é amplamente praticada e que aprovou leis para criminalizar a sua prática. Entre as sanções, incluem-se multas e penas de prisão. Os outros nove países são: o Burkina Faso, a Côte d’Ivoire, o Djibouti, o Egipto, o Gana, a Guiné, a República Centro-Africana, o Senegal e o Togo.
- Vários países, como a Austrália, o Canadá, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e o Reino Unido, que têm populações de imigrantes que praticam este ritual, aprovaram disposições similares para procurar eliminar essa prática.
- A Nigéria criou o teatro Fístula Vesico-Vaginal e centros de reabilitação para prestar cuidados a menores casadas que tenham sido afectadas pela mutilação genital feminina.
fonte: ONU
http://ruistorm.ptisp.org/simplesmente/arquivos/2004_06.php
- Vários países, como a Austrália, o Canadá, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e o Reino Unido, que têm populações de imigrantes que praticam este ritual, aprovaram disposições similares para procurar eliminar essa prática.
- A Nigéria criou o teatro Fístula Vesico-Vaginal e centros de reabilitação para prestar cuidados a menores casadas que tenham sido afectadas pela mutilação genital feminina.
fonte: ONU
http://ruistorm.ptisp.org/simplesmente/a
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